SIALOADENITE ACTINICA POR IODORADIOTERAPIA

Sialoadenite Actinica Por Iodoradioterapia

A terapia radioativa com iodo (I131) é uma ferramenta essencial para tratamento de doenças da tireoide, especialmente para pacientes com câncer bem diferenciado. Entretanto, as glândulas salivares podem ser afetadas pelo I131, resultando em disfunção da glândula. Além disso, sintomas subjetivos como xerostomia (sensação de boca seca) e disgeusia (alteração ou diminuição do paladar) podem ocorrer.

Os tecidos das glândulas salivares têm a capacidade de concentrar iodo, principalmente nas células ductais. Há assertivas que a concentração de iodo salivar varia de 20 a 100 vezes o nível detectado no plasma e mais de 24% do I131 administrado é secretado pela saliva. Portanto, os tecidos das glândulas salivares tornam-se alvo potencial da terapia I131 e a sialoadenite obstrutiva é o efeito primário devido à irradiação. Também, há aumento da permeabilidade do endotélio vascular das glândulas salivares pelo dano do I131, levando à perda de eletrólitos e proteínas.

As glândulas serosas são acometidas mais frequentemente. Assim sendo, a sialoadenite I131 induzida pode ser definida como uma doença da glândula parótida. Do ponto de vista fisiopatológico, a consequência da exposição ao I131 pode ser resumida como alteração do fluxo salivar por obstrução ductal secundária à inflamação periductal e infiltrado inflamatório; infecção ascendente relacionada à redução na capacidade à drenagem salivar; difusão radioisotópica dentro do parênquima glandular e alteração bioquímica através do aumento da permeabilidade capilar.

Estes mecanismos determinarão diminuição do fluxo salivar, estagnação e precipitação do muco com formação de tampões mucosos. Eventos inflamatórios e / ou infecciosos recorrentes que podem resultar em esclerose da glândula. 

Clinicamente estas alterações serão traduzidas como dor, inchaço, distorção da percepção do paladar e posterior xerostomia. Esta apresentação clínica, essencialmente de natureza obstrutiva com predominância bilateral, pode ocorrer precocemente (nas primeiras 48 horas após a irradiação) ou tardia em 3-6 meses desde o início do tratamento com I131. 

Historicamente, o tratamento da sialoadenite I131 inclui agentes sialogogos, massagens das glândulas, calor, esteroides, ingestão diária adequada de líquidos e até antibióticos. Porém, o tratamento definitivo para tais casos nos parece que seja a remoção da obstrução através da dilatação ductal.

Na última década há relatos de diversos especialistas mostrando o benefício da sialoendoscopia cujos resultados são encorajadores para manejo de pacientes com sialoadenite I131, com vantagens adicionais por ser um procedimento minimamente invasivo para fins diagnósticos e terapêuticos.

O percentual de pacientes com resolução completa dos sintomas com a técnica da sialoendoscopia para tratamento da sialoadenite I131, segundo os autores pesquisados, varia de 50 a 100%, sem complicações severas relatadas. Um fator limitante a esta técnica, para alguns, seria uma significativa taxa de incapacidade de cateterizar os ductos das glândulas relatados.